
MAC Niterói apresenta 'Cosmoguiné', primeira individual de Ian Cheibub
Mostra marca um momento de transição na trajetória do artista niteroiense ao articular imagem, escultura e som em uma instalação atravessada pela ação da erva-da-guiné.
11 MAR 202615h00CulturaMAC Niterói
Sobre o evento
Mostra marca um momento de transição na trajetória do artista niteroiense ao articular imagem, escultura e som em uma instalação atravessada pela ação da erva-da-guiné.
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói apresenta Cosmoguiné, primeira exposição individual de Ian Cheibub. Quinta geração de um terreiro de Umbanda no morro do Bumba, em Niterói, o artista concebe a mostra como uma colaboração direta com a erva-da-guiné, planta com a qual cresceu e que integra seu universo simbólico. A mostra, que tem abertura agendada para o sábado, 07 de março, às 10h, fica em cartaz até 24 de maio.
A exposição emerge como um marco de transição em sua trajetória, deslocar leituras restritivas da fotografia e afirmar um campo expandido onde escultura, som e imagem se entrelaçam. Ao explorar as diferentes utilizações simbólicas, químicas e cosmológicas da erva-da-guiné (Petiveria alliacea), Ian Cheibub reafirma uma prática multidisciplinar que articula diferentes linguagens.
"Durante essa pesquisa, eu apliquei a transdisciplinaridade e multiplicidade de utilizações da própria Guiné na minha prática artística. Dessa forma, essa não é uma exposição somente de imagens, mas um universo multidisciplinar que mescla diferentes práticas artísticas. Afinal, nas experiências que baseiam a minha prática artística, se enxerga-se enquanto se ouve, se toca enquanto se dança e se come enquanto se reza", afirma o artista.
Partindo de uma investigação dedicada às interações entre seres humanos e não humanos, Cosmoguiné desloca a erva-da-guiné de sua condição de tema para situá-la como agente ativo no processo artístico. Filmes fotográficos são expostos aos banhos preparados com a planta, permitindo que ela atue quimicamente sobre a emulsão — corrói, edita, apaga, revela — em um embate que tensiona os regimes de visibilidade da fotografia.
Como observa o curador Sergio Valenzuela-Escobedo, "O artista não trabalha sobre a planta, mas com ela; não trabalha sobre uma família, mas com ela. Diante da planta como da câmera, ele renuncia à soberania do autor. Aceita que a forma final escape, resista, contradiga."
A interferência da planta dissolve a individualidade dos fotogramas e transforma o negativo em superfície contínua. Uma impressão de 2,80m por 40m envolve a sala expositiva, convertendo a fotografia em ambiente, superfície e corpo expandido. A imagem deixa de operar como janela para afirmar-se como matéria.
No centro da exposição, uma escultura em bronze reproduz os caules da guiné, estrutura associada simultaneamente à reprodução e à toxicidade, ativando tensões que atravessam toda a mostra: cura e veneno, proteção e ameaça, vida e morte. Suspensas no espaço, ampliações monumentais de folhas foram reveladas com a própria planta como agente químico, em processo desenvolvido pelo artista.
A abertura será marcada por uma lavagem ritual da rampa do MAC, realizada pela tia e pelo pai do artista, pais de santo em atuação há mais de 30 anos em Niterói, gesto que introduz no espaço museológico uma dimensão afetiva e ancestral presente na gênese do trabalho.
Em Cosmoguiné, a imagem não se fixa, permanece em estado de transformação contínua, inclusive nos negativos guardados em garrafões de vidro, imersos definitivamente nos líquidos que os alteraram. Nada se encerra completamente; nada permanece intacto. Cosmoguiné é uma produção da Rapsódia Empreendimentos Culturais e conta com patrocínio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
Ian Cheibub é um artista visual nascido em Niterói. Seu trabalho questiona as condições de visibilidade, controle e objetividade herdadas da modernidade colonial, colocando em tensão a produção artística com as relações entre humanos e não humanos, em uma lógica de escuta e contraponto. Por meio do vídeo, do som, da fotografia e da instalação, Ian desenvolve processos colaborativos que deslocam a autoridade do autor e questionam as lógicas extrativistas da imagem. Sua prática investiga como determinadas operações, saberes e materialidades não racionalizadas pela modernidade ocidental podem funcionar como ferramentas de subversão das narrativas dominantes no Sul Global.
Sobre o MAC Niterói
Inaugurado em 1996 e projetado por Oscar Niemeyer, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói é uma das principais instituições culturais do país, reconhecido por sua arquitetura icônica e por sua programação dedicada à arte contemporânea brasileira e internacional. Localizado à beira da Baía de Guanabara, o museu desenvolve exposições, ações educativas e projetos curatoriais que promovem o diálogo entre arte, território e pensamento contemporâneo.
Serviço
Exposição: Cosmoguiné – Ian Cheibub
Abertura: Sábado, 07 de março de 2026
Período expositivo: até 24 de maio de 2026
Horário de visitação: Terça a domingo, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30)
Classificação indicativa: Livre
Ingressos:
Inteira: R$20
Meia-entrada: R$10 (pessoas com mais de 60 anos, estudantes de escolas particulares e universidades, ID Jovem)
Gratuidades: Crianças menores de 7 anos, estudantes da rede pública (ensino fundamental e médio), moradores e naturais de Niterói, servidores públicos municipais de Niterói, pessoas com deficiência, visitantes que chegarem ao museu de bicicleta.
Entrada gratuita para todos às quartas-feiras.
Bilheteria: Venda exclusivamente presencial, pagamento apenas em dinheiro.
Observações: Não é permitido circular no museu com comida, bebida, bolsas e mochilas de porte médio ou malas. Há guarda-volumes gratuito, sujeito à lotação.
Local: MAC Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº - Boa Viagem - Niterói - RJ
Tags:
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói apresenta Cosmoguiné, primeira exposição individual de Ian Cheibub. Quinta geração de um terreiro de Umbanda no morro do Bumba, em Niterói, o artista concebe a mostra como uma colaboração direta com a erva-da-guiné, planta com a qual cresceu e que integra seu universo simbólico. A mostra, que tem abertura agendada para o sábado, 07 de março, às 10h, fica em cartaz até 24 de maio.
A exposição emerge como um marco de transição em sua trajetória, deslocar leituras restritivas da fotografia e afirmar um campo expandido onde escultura, som e imagem se entrelaçam. Ao explorar as diferentes utilizações simbólicas, químicas e cosmológicas da erva-da-guiné (Petiveria alliacea), Ian Cheibub reafirma uma prática multidisciplinar que articula diferentes linguagens.
"Durante essa pesquisa, eu apliquei a transdisciplinaridade e multiplicidade de utilizações da própria Guiné na minha prática artística. Dessa forma, essa não é uma exposição somente de imagens, mas um universo multidisciplinar que mescla diferentes práticas artísticas. Afinal, nas experiências que baseiam a minha prática artística, se enxerga-se enquanto se ouve, se toca enquanto se dança e se come enquanto se reza", afirma o artista.
Partindo de uma investigação dedicada às interações entre seres humanos e não humanos, Cosmoguiné desloca a erva-da-guiné de sua condição de tema para situá-la como agente ativo no processo artístico. Filmes fotográficos são expostos aos banhos preparados com a planta, permitindo que ela atue quimicamente sobre a emulsão — corrói, edita, apaga, revela — em um embate que tensiona os regimes de visibilidade da fotografia.
Como observa o curador Sergio Valenzuela-Escobedo, "O artista não trabalha sobre a planta, mas com ela; não trabalha sobre uma família, mas com ela. Diante da planta como da câmera, ele renuncia à soberania do autor. Aceita que a forma final escape, resista, contradiga."
![]() |
![]() |
![]() |
A interferência da planta dissolve a individualidade dos fotogramas e transforma o negativo em superfície contínua. Uma impressão de 2,80m por 40m envolve a sala expositiva, convertendo a fotografia em ambiente, superfície e corpo expandido. A imagem deixa de operar como janela para afirmar-se como matéria.
No centro da exposição, uma escultura em bronze reproduz os caules da guiné, estrutura associada simultaneamente à reprodução e à toxicidade, ativando tensões que atravessam toda a mostra: cura e veneno, proteção e ameaça, vida e morte. Suspensas no espaço, ampliações monumentais de folhas foram reveladas com a própria planta como agente químico, em processo desenvolvido pelo artista.
A abertura será marcada por uma lavagem ritual da rampa do MAC, realizada pela tia e pelo pai do artista, pais de santo em atuação há mais de 30 anos em Niterói, gesto que introduz no espaço museológico uma dimensão afetiva e ancestral presente na gênese do trabalho.
Em Cosmoguiné, a imagem não se fixa, permanece em estado de transformação contínua, inclusive nos negativos guardados em garrafões de vidro, imersos definitivamente nos líquidos que os alteraram. Nada se encerra completamente; nada permanece intacto. Cosmoguiné é uma produção da Rapsódia Empreendimentos Culturais e conta com patrocínio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
![]() |
Ian Cheibub é um artista visual nascido em Niterói. Seu trabalho questiona as condições de visibilidade, controle e objetividade herdadas da modernidade colonial, colocando em tensão a produção artística com as relações entre humanos e não humanos, em uma lógica de escuta e contraponto. Por meio do vídeo, do som, da fotografia e da instalação, Ian desenvolve processos colaborativos que deslocam a autoridade do autor e questionam as lógicas extrativistas da imagem. Sua prática investiga como determinadas operações, saberes e materialidades não racionalizadas pela modernidade ocidental podem funcionar como ferramentas de subversão das narrativas dominantes no Sul Global.
Sobre o MAC Niterói
Inaugurado em 1996 e projetado por Oscar Niemeyer, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói é uma das principais instituições culturais do país, reconhecido por sua arquitetura icônica e por sua programação dedicada à arte contemporânea brasileira e internacional. Localizado à beira da Baía de Guanabara, o museu desenvolve exposições, ações educativas e projetos curatoriais que promovem o diálogo entre arte, território e pensamento contemporâneo.
Serviço
Exposição: Cosmoguiné – Ian Cheibub
Abertura: Sábado, 07 de março de 2026
Período expositivo: até 24 de maio de 2026
Horário de visitação: Terça a domingo, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30)
Classificação indicativa: Livre
Ingressos:
Inteira: R$20
Meia-entrada: R$10 (pessoas com mais de 60 anos, estudantes de escolas particulares e universidades, ID Jovem)
Gratuidades: Crianças menores de 7 anos, estudantes da rede pública (ensino fundamental e médio), moradores e naturais de Niterói, servidores públicos municipais de Niterói, pessoas com deficiência, visitantes que chegarem ao museu de bicicleta.
Entrada gratuita para todos às quartas-feiras.
Bilheteria: Venda exclusivamente presencial, pagamento apenas em dinheiro.
Observações: Não é permitido circular no museu com comida, bebida, bolsas e mochilas de porte médio ou malas. Há guarda-volumes gratuito, sujeito à lotação.
Local: MAC Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº - Boa Viagem - Niterói - RJ
Tags:
Divulgue seu evento no Niterói Click
Alcance mais pessoas e faça parte do guia mais completo da cidade.
Galeria

Eventos relacionados
Ver todos os eventos →© 2025 Niterói Click. Todos os direitos reservados.
Feito com para Niterói








